quinta-feira, 23 de abril de 2009

Resenha do Livro:Linguagem e Escola - Uma Perspectiva Social.

Soares, Magda. Linguagem e Escola – uma perspectiva social. 17ª Ed.São Paulo:Ática,2002,85 páginas.

Francimari de Medeiros Silva
Ingrid Huane Saldanha ¹

Magda Soares é doutora em Educação e licenciada em Letras pela USP, já publicou algumas obras, tais como: O ensino da Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (2º grau, questões metodológicas,MEC 1981) ,Um olhar sobre o livro didático,Letramento: em três gêneros; e, a presente obra em foco,todas estas, foram de grande contribuição para a Educação; principalmente no que diz respeito á Linguagem e ao ensino de Língua Portuguesa.

Em sua obra “Linguagem e Escola – uma perspectiva social, Magda Soares, respaldada numa visão Política-ideológica deixa claro o propósito do seu trabalho; o qual pretende analisar, de forma crítica, as relações de implicação entre linguagem, escola e sociedade.Tendo como principal foco de interesse a compreensão dos problemas concernentes ao ensino da língua materna na educação das camadas populares.Busca à luz da Sociologia promover o entendimento de tais relações, considerando especialmente a realidade da sociedade estratificada do Brasil e suas discrepâncias.Assim,o livro recorre a argumentos bem fundamentados,procurando desvelar conceitos; articulando e integrando teorias originarias da Sociologia. Traz ainda um aspecto enriquecedor; que é um vocabulário crítico e uma bibliografia comentada. Seguindo este propósito, a autora, para explicar o problema decorrente do fracasso escolar, apresenta no capitulo dois três teorias; a saber:a ideologia do dom,a ideologia da deficiência cultural e a ideologia das deficiências culturais, com base no que diz as mesmas, aborda o papel que a linguagem desempenha nessas explicações e no que apregoa essas ideologias nos capítulos seguintes.
Assim, no capitulo três, é apresentado e discutido o conceito de “deficiência Lingüística” fazendo um apanhado histórico de sua origem bem como seus efeitos sobre a educação e a escola; remete a involuntária contribuição do sociólogo inglês Basil Bernstein face a esta teoria.”Segundo a lógica da teoria da deficiência cultural,o déficit lingüístico é atribuído á pobreza do contexto lingüístico em que se insere a criança, particularmente no ambiente familiar.”(p.21)Em suma: para a teoria da carência cultural,crianças das camadas populares,ao contrário das classes favorecidas,apresentam um déficit linguístico, resultado da privação lingüística de que são vítimas no contexto cultural em que vivem(...)”(p.21)
Por sua vez, no capítulo quatro, a autora, contestará o referido conceito embasada nos estudos e pesquisas de sociolinguístas, onde ressalta a contribuição de Labov na desmistificação dessa teoria, que comprovam a existência de variáveis lingüísticas,mas negam a deficiência ou inferioridade de uma variável em relação a outras.
Já no capítulo cinco ilustra os conceitos de “deficiência lingüística” e de “diferenças lingüísticas” os quais são apresentados na perspectiva de uma Sociologia da Línguagem, que aponta a sociedade capitalista como responsável pela transformação de diferenças em deficiências na escola por razões político-ideologicas.Com base em Bourdieu e Passeron (...) a função da escola tem sido precisamente esta: manter e perpetuar a estrutura social,suas desigualdades e os privilégios que confere a uns em detrimento de outros, e não, como se apregoa, no discurso de cunho democrático que é promover a igualdade social e a superação das discriminações e da marginalização.”(p.54)
Finalmente, no capítulo seis retomará e criticará as funções que á escola têm sido atribuídas no quadro dos conceitos de “deficiências” e de “diferenças”, assim, baseada em explicações contundentes, a autora procura encetar caminhos para que possam ser encontradas respostas ás perguntas do tipo:como podem ser trabalhadas as relações entre linguagem,educação e classe social,numa escola que se proponha a estar a serviço das camadas populares? ou quem sabe:que papel têm essas relações na definição de metodologias adequadas ao ensino da língua materna?


Portanto, a linguagem desse livro é bastante clara e por isso acessível; os assuntos abordados são pertinentes, bem fundamentados; aportando-se em teorias Sociais que nos permitem compreender de forma genérica e específica o fracasso da aprendizagem da Língua materna bem como tomar conhecimento dos fatores que explicam a “crise da linguagem,” constatada nos últimos anos. Sendo assim, esta obra se faz recomendável á todos os professores e acadêmicos de cursos da área de Educação; sobretudo, pela importância de um objetivo singular,que é desnudar a verdadeira função da escola como organismo de manutenção da hegemonia das classes dominantes, com isso nos possibilita uma tomada de consciência sobre a realidade de tal problemática e nos propõe uma práxis comprometida com a transformação socioeducativa; face a fundamentação de um ensino da Língua materna realmente competente e sempre com vistas á essa transformação social.



¹ Graduandas do Curso de Pedagogia UFRN

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